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Candidados fazem panfletagem virtual

Andréia Marques

Para ganhar votos, vale até criar comunidade no Orkut (19/09/2006)

O antigo e estático tribunal de Atenas, de onde surgiram as palavras democracia, política e tantas outras vindas da antiga Grécia, hoje dá lugar a algo mais moderno. Na era da tecnologia e da velocidade da informação, o que vale mesmo é ocupar todos os espaços possíveis. Além do dom da retórica, na atualidade tem que se estar plugado às novidades e às possibilidades que o mundo moderno nos oferece.  Falar de disputa eleitoral não é diferente. Vedadas a utilização e distribuição de bonés, camisetas, canetas, chaveiros e brindes, partidos e candidatos têm, além do discurso, recorrido a outras formas de chamar a atenção do eleitor e, assim, garantir votos nas urnas. O velho santinho que trazia a foto e o número do candidato foi transformado num blog, que pode atingir de maneira mais rápida e econômica um número muito maior de pessoas. 

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil tem quase 126 milhões de eleitores. Destes, segundo o Ibope, 32 milhões utilizam a internet para buscar informações sobre as eleições. De olho no potencial da rede, muitos políticos resolveram apostar em novas ferramentas para tentar conquistar eleitores pela web na campanha deste ano. A panfletagem online inclui colocar vídeos no site YouTube, adicionar eleitores na comunidade virtual Orkut e fazer propaganda usando mensageiros instantâneos, blogs, entre outros artifícios.  E a ciberpropaganda vem despertando a atenção. 

A vereadora Soninha Francine (PT-SP), candidata a deputada federal, gravou sozinha um depoimento de 4 minutos em casa e colocou no Youtube. Deu certo. Mesmo com o áudio fora de sincronia, o vídeo já teve mais de 2.800 espectadores. 

No entanto, para que as eleições causem algum tipo de impacto dentro desta nova mídia, tem que se levar em consideração não apenas o número de pessoas que têm acesso e do interesse na eleição, mas da criatividade dos partidos para atrair a atenção dos internautas para as candidaturas. Nesse quesito, os candidatos têm se saído bem. 

Os sites daqueles que protelam uma vaga no parlamento estão cada vez mais interativos e criativos.  O eleitor pode encontrar no site, por exemplo, a história do partido, agenda do candidato, fotos de eventos, matérias de jornais, jingles e vídeo de campanhas. Há sites trazem folders e adesivos prontos para imprimir, recortar e distribuir. 

Com todos esses instrumentos disponibilizados num site de campanha, qualquer um pode se tornar um militante ou um cabo eleitoral.  O internauta-simpatizante pode ser o responsável pela divulgação dos nomes dos candidatos na internet e agir através da criação de páginas na rede com listas de discussão, blogs, fotologs e comunidades em sites de relacionamentos. 

Mas a internet não traz apenas benefícios aos candidatos. Muitos têm sido alvos de ataques furiosos de internautas. Em 2004, o site da prefeitura de São Paulo foi atacado por um hacker não identificado. As mensagens deixadas, que tinham teor ofensivo, não se dirigiam a uma pessoa específica, mas à classe política em geral. Em virtude da falta de uma lei específica, a questão da propaganda envolvendo a internet ficou sob responsabilidade das jurisprudências e das soluções do TSE, e para quem cuida da imagem dos políticos nos sites, é preciso ter cautela.

 

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